A Conferência

Dia 1 de dezembro, no Grande Auditório do ISCTE, realizou-se a V Conferência GPA “Portugal, Capital Natural – agricultura, mar e florestas”.

Em parceria com a EDIA e o BCSD Portugal, fomentámos o debate sobre a gestão sustentável do capital natural em Portugal, divulgamos as boas práticas e o seu contributo para a competitividade da economia nacional.

Neste dia reunimos algumas das mais relevantes entidades na valorização da agricultura, do mar e da floresta em Portugal e contámos com a presença da excelentíssima Ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas.

 

Ministra da Agricultura defende que devemos crescer de forma económica e ambiental

“O ambiente só é realidade quando se cruza com outros sectores da actividade”, defendeu a Ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas, na abertura da Conferência GPA.

 Segundo Assunção Cristas, “no mundo que é competitivo sob todos os pontos de vista, temos a ganhar se nos tornarmos um país mais verde. Devemos crescer economicamente e crescer também no ponto de vista ambiental para nos posicionarmos como um pais que está na linha da frente”. Neste sentido, garantiu, “no governo temos trabalhado para criar raízes para um crescimento verde nas mais variadas áreas. Nos vários pilares do crescimento verde, encontramos o pilar da agricultura, das florestas e do mar”.

 A Ministra falou ainda do Programa de Desenvolvimento Rural 2020  (PDR 2020) que já foi apresentado formalmente. Os apoios previstos neste programa prosseguem os objectivos de um reforço da viabilidade e da competitividade das explorações agrícolas, promovendo a inovação, a formação, a capacitação organizacional e o redimensionamento das empresas, explicou a ministra. Além disso, através do PDR 2020 pretende-se também uma expansão e renovação da estrutura produtiva agroindustrial e a preservação e melhoria do ambiente, assegurando a compatibilidade dos investimentos com as normas ambientais e de higiene, e segurança no trabalho.

 Referindo-se ao Alqueva – tema do primeiro painel da conferência -, Assunção Cristas destacou que é um projecto que tem décadas, mas que já está a dar os seus frutos. “Neste momento, estamos em conclusão de 120 mil hectares que já começaram a ser regados. Ter água significa ter uma riqueza extraordinária. Isto será tão ou mais verdadeiro se conseguirmos promover o seu uso sustentável”, frisou.

“Acredito muito na possibilidade de crescermos de forma equilibrada e sustentável, e de termos sustentabilidade na agricultura, florestas e mar”, finalizou.

 O Valor do Capital Natural para as empresas – A perspectiva do WBCSD

O Capital Natural é o valor da natureza para as pessoas, a sociedade, as empresas e a economia. É o stock de recursos físicos e biológicos e a capacidade dos ecossistemas fornecerem um conjunto de serviços que contribuem para o bem-estar humano e para o desenvolvimento sustentável, afirmou Rabab Fayad, directora da Rede Global do WBCSD (World Business Council for Sustainable Development).

Para explicar melhor o que é o capital natural e a sua importância para os negócios, Fayad, partilhou a mensagem do Pitch for Nature, iniciativa lançada pelo WBCSD que mostra como as organizações devem olhar para a sua cadeia de abastecimento e de comercialização, de forma a terem uma verdadeira noção do seu impacto na natureza.

Segundo a responsável, as empresas que têm capital natural nos seus negócios vão estar melhor equipadas para gerir os riscos, como também serão melhores a capitalizar o mercado, oportunidades de produtos e serviços e reduzir os custos para melhores decisões de investimento.

Durante a sua intervenção, Fayad referiu que a crescente degradação dos ecossistemas e dos serviços fornecidos pelos ecossistemas constitui um sério risco para o capital natural, ameaçando o bem-estar de todos, incluindo a viabilidade das empresas, em especial daquelas cuja actividade é baseada nos recursos naturais. Por isso, adiantou, o WBCSD procura promover o desenvolvimento de projectos de valorização do capital natural e melhorar a investigação nas actividades económicas.

Em 2013, O WBCSD definiu a  Visão 2050 , com o objectivo de traçar directrizes para o caminho que as empresas devem percorrer até 2050, rumo ao desenvolvimento sustentável. Para que os resultados da Visão 2050 sejam alcançados, o WBCSD desenvolveu a Acção 2020 que vai reunir, em cada país, os esforços das empresas nas dimensões económica, ambiental e social.

São propostas 35 soluções que podem abarcar áreas tão diversas como alterações climáticas, mobilidade ou empregabilidade, e incluem medidas como recuperação de recifes de coral e reflorestação – os recifes e florestas funcionam como sumidouros de carbono -, recuperação de 12 milhões de hectares de solo arável por ano ou aumento da protecção das zonas costeiras em 10%.

O BCSD Portugal adaptou a Visão 2050 à realidade portuguesa, através da Acção 2020. O seu foco é na definição das acções intermédias que garantem a tangibilidade dos objectivos para 2020 e nos seis caminhos com maior relevância para o desenvolvimento sustentável de Portugal: desenvolvimento social, economia, capital natural, energia, cidades e infraestruturas, indústria e materiais.

 

“Capital Natural, Inovação e Crescimento Económico – O valor da água em Alqueva”

No painel dedicado ao  “Valor da Água em Alqueva”, o professor Augusto Mateus explicou qual o significado do capital natural a nível empresarial.

Por seu lado, João Coimbra, da ANPROMIS, abordou a temática compreendendo de que forma esse capital é visto na perspetiva de um agricultor.

João Machado, da CAP, alertou para como a agricultura e o turismo demonstraram num cenário de crise ser os únicos setores na nossa economia que mantiveram tendências de crescimento e que se uniram para valorizar os recursos endógenos portugueses.

Francisco Gomes da Silva, do ISA, relembrou que o capital natural que temos em Portugal resulta de uma paisagem profundamente alterada pela atividade humana.

“O turismo potencia o capital natural. É a forma mais rentável de perpetuar as nossas tradições”, afirmou Adolfo Mesquita, secretário de Estado do Turismo.

Uma opinião corroborada por João Roquette, CEO do Esporão, que referiu que o “turismo é uma ferramenta poderosa para mostrar o nosso território e como fazemos os nossos produtos”.

 

Brevemente mais informações disponíveis.