A Conferência

Mobilidade Elétrica, Reabilitação Urbana e índice de Sustentabilidade nas Cidades foram os temas da III Conferência GPA que contou com o apoio da Secretaria de Estado do Ordenamento do Território e Conservação da Natureza. Vários convidados tiveram a oportunidade de participar na Experiência Renault Elétrico e de fazer um test-driv nas bicicletas elétricas da Zeev.

 

Secretário de Estado destaca papel da reabilitação urbana na coesão económica e crescimento verde

“Temos vindo a apostar num conjunto de medidas que promovem a reabilitação urbana e o regresso das pessoas ao centro das cidades”, afirmou  Miguel Castro Neto, secretário de Estado do Ordenamento do Território e Conservação da Natureza. O secretário defendeu que a reabilitação urbana deve ser “uma das prioridades”, com mais-valias no emprego e na coesão económica, e com relevância para o crescimento verde, pretendendo-se alocar 600 milhões de euros de fundos para o efeito. No que diz respeito à mobilidade urbana, Miguel Castro Neto referiu que “o modelo de mobilidade urbana assenta ainda muito no veículo privado”, caracterizando-o como dispendioso e stressante, e que os congestionamentos representam 2% do PIB. “Quer com a reabilitação urbana, quer com uma mobilidade mais ecológica caminhamos para cidades mais sustentáveis”, concluiu.

Reabilitação Urbana

o 1º painel da Conferência, dedicado ao tema da Reabilitação Urbana, contou com uma breve introdução de Ricardo Guimarães, administrador e diretor da Confidencial Imobiliário e seguiu com a moderação de Vítor Norinha, diretor do Jornal Oje.

“Hoje em dia o sentimento em relação ao mercado imobiliário de compra e venda é diferente do que era em 2012. O mercado de arrendamento foi o grande beneficiário da crise financeira”, afirmou.  Veja aqui a apresentação utilizada por Ricardo Guimarães.

A sustentabilidade e a reabilitação urbana são indissociáveis para o futuro do setor da construção. É consensual que hoje a reabilitação urbana é necessária e prioritária, disse Reis Campos, presidente da Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas. Citando um estudo, o responsável referiu que seriam necessários 1,3 mil milhões de euros para reabilitar todas as casas da invita e 3,2 mil milhões para reabilitar as da capital.

Para Pedro Rutkowski, CEO da Worx, o “activo imobiliário é um excelente investimento”. Mas há que ter em atenção que “a reabilitação tem de ser pensada também fora dos centros urbanos”. Citando um estudo que a Worx publicou sobre o mercado de residências universitárias, Pedro Rutkowski referiu que o alojamento de estudantes é um nicho de mercado com grande potencial, não só devido ao interesse que suscita em termos de desenvolvimento, como também devido à existência de vários imóveis no País que podem ser adaptados para o segmento.

Isabel Santos, administradora executiva da Ecochoice, referiu que “usar os recursos de forma racional é hoje uma prioridade transversal a todos os sectores de actividade e que é importante criar soluções e estratégias para atingir a sustentabilidade nos edifícios e território.

Também Rui Fragoso, da Direcção de Edifícios da ADENE – Agência para a Energia,  frisou que a eficiência energética “não pode passar ao lado da reabilitação urbana”.

A existência de realidades díspares de norte a sul de Portugal foi outra das conclusões do painel. “A realidade de Lisboa no que toca à reabilitação urbana não é a realidade do país. Precisamos de aprender, partilhar experiência e transpor os bons exemplos de Lisboa para outras áreas”, concluiu Salvador Ferreira da Silva, da Câmara Municipal de Ovar.

 

 

Mobilidade Sustentável: Os desafios de uma abordagem integrada

Franco Caruso, Diretor de Comunicação da Brisa – um dos apoios desta conferência – fez uma pequena apresentação acerca da Mobilidade Sustentável. Consulte aqui.

Mobilidade Elétrica

A mobilidade elétrica é uma realidade incontornável a nível mundial. Os construtores de automóveis já têm apostas em veículos elétricos e híbridos. Esta foi uma das principais conclusões do segundo painel.

Luís Reis, vice-presidente da APVE – Associação Portuguesa do Veículo Elétrico, evidenciou a importância da mobilidade elétrica para que as nossas cidades e o nosso país possam atingir novas metas de qualidade de vida e sustentabilidade. E referiu que “a mobilidade elétrica não se esgota no veículo e vai até às duas rodas e aos transportes públicos”.

Uma opinião corroborada por Paulo Rodrigues,  secretário Geral da ABIMOTA – Associação Nacional das Indústrias de Duas Rodas, que destacou a liberdade do cidadão poder escolher a forma como se desloca nos dias de hoje.

A nova legislação para a mobilidade eléctrica precisa de um enquadramento – esta é a opinião do consultor Mário Alves. “No caso da “fiscalidade verde” é importante que haja informação e comunicação com as pessoas. Estas têm que saber o que está em causa, se há um aumento ou uma redução de impostos”, referiu Mário Alves.

Desde o Mobi-e ao Dístico Verde, a EMEL tem vindo a mudar o seu negócio. O “M” da EMEL deixou de ser de “Municipal” para ser de “Mobilidade. Foi desta forma que Óscar Rodrigues explicou a mudança no core business da empresa. “A EMEL mudou muito e já não se posiciona apenas como a empresa de fiscalização do estacionamento de Lisboa mas como empresa que ajuda à mobilidade, à criação de uma cidade mais inteligente e mais inclusiva.” .

Com viaturas de vários tipos e de motorizações diversas, os CTT estão a cumprir as metas ambientais que estão estipuladas internacionalmente para o sector, embora segundo Luís Paulo, representante da empresa, refira que “apenas 8% da frota tenha motorizações alternativas”. As escolhas da empresa nesta área estão relacionadas com uma “racionalidade económica, mas não só financeira.”.

Xavier Martinet, administrador Delegado da Renault Portugal, revelou que a “mobilidade elétrica vai tornar-se uma parte significativa do futuro da mobilidade individual”. O Renault Twizy é um autêntico “case study” da empresa.  Já o ZOE, que foi o primeiro Renault exclusivamente concebido para ser 100% elétrico e que chegou ao mercado há um ano, é um dos mais vendidos em Portugal. “Sabemos que hoje existem um conjunto de ideias associadas ao veículo elétrico e que a melhor forma de cativar as pessoas para esta nova forma de mobilidade é proporcionar-lhes a experiência de condução”, disse o administrador.

 

Eco-Village Community

Um jovem português projetou a Eco-Village, uma cidade que responde a todas as necessidades das pessoas, sem que estas tenham de recorrer ao meio exterior para a sua subsistência. Foram as preocupações com a “situação global atual catastrófica” de exploração humana, animal e de recursos que levaram Rui Vasques a criar a Eco-Village Community.

Veja a apresentação feita na conferência aqui.