A Conferência

A 17 de junho, na Fundação Calouste Gulbenkian, decorreu a segunda Conferência GPA de 2014. “Consumo Sustentável: O Poder do Consumidor” foi o tema de debate e reflexão, na qual participaram cerca de 200 convidados.

Durante a conferência ocorreu também a assinatura do Protocolo de Colaboração entre a AEP e o GPA e uma breve intervenção por parte do Secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes.

Assista à reportagem da SIC Notícias sobre a conferência.

 

Dinamizando práticas de consumo sustentável: design, marcas e consumo

Os criativos têm uma grande responsabilidade na promoção do consumo sustentável. Não devem ser vistos como meros interfaces passivos, mas sim como elementos ativos, afirmou Guta Moura Guedes, na conferência do Green Project Awards “Consumo Sustentável – O Poder do Consumidor”.

“Enquanto designer, quando estou a desenhar uma garrafa, posso dizer ao cliente que aquilo que me está a pedir não é viável do ponto de vista sustentável. Tenho essa responsabilidade”, explicou a presidente da Experimenta Design.

Uma opinião que foi refutada por Carlos Coelho, presidente do IVITY Brand Group, que afirmou que “não cabe aos criativos serem agentes de mudança. Os criativos são criadores de interação entre públicos e produtores ou vice-versa”.

“As empresas ativas no mercado não têm na sua agenda a preocupação da sustentabilidade como o deveriam ter e não são os criativos que devem fazer este papel”, explicou.

Ana Trigo Morais, diretora-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), que também participou no painel, frisou que as empresas olham cada vez mais para a sustentabilidade nos seus modelos de negócio e que 80 % das decisões que são tomadas pelas empresas no desenvolvimento de um produto começam no design.

Vasco Colaço, presidente da Deco, considera que o panorama nacional também tem influenciado o padrão de consumo dos consumidores. “Esta crise que vivemos obrigou as pessoas a repensarem os seus hábitos de consumo, procurando ser mais criteriosos nas suas escolhas, quer por dificuldade, quer pelo aumento de preço”, disse, acrescentando que nem sempre o Governo soube aproveitar a mudança.

“Cerca de 56% da energia consumida em Lisboa está associada aos transportes. O que aconteceu é que o rendimento das famílias diminuiu e houve uma tendência para que se passasse a andar de transportes públicos. No entanto, o que se verificou é que houve um aumento significativo das tarifas de transportes, o que levou à perda de passageiros”, exemplificou.

Este painel foi moderado por Bárbara Reis, diretora do Público.

 


 

Recursos naturais como motor para o turismo sustentável

O secretário de Estado do Turismo afirmou que os recursos naturais são um ativo turístico e defendeu a necessidade de ultrapassar a falta de comunicação entre o turismo e o ambiente, promovendo a conservação da natureza.

Adolfo Mesquita Nunes salientou a importância de “conciliar ambiente e turismo, sem impedir um e outro de se desenvolver” até porque a atividade turística “pode ser um indutor da conservação dos recursos naturais”.

Segundo o secretário de Estado, em 2013, o turismo foi responsável por 9% do PIB e por 14% das exportações. “Foi o setor que mais contribuiu para que o país saísse da recessão”, concluiu.

 


 

“A economia Circular como reposta ao consumidor: os agentes da mudança”

A cortiça já foi usada como roupa ou reinventada no seu papel de almofada de pioneses. Mas a Corticeira Amorim crê que ainda há muito mais para fazer com a cortiça, pelo que decidiu assim criar recentemente uma incubadora empresarial dedicada a este material de origem vegetal.

Segundo Paulo Bessa, diretor de sustentabilidade da Corticeira Amorim, “o consumidor é o principal defensor da cortiça. Este é o poder do consumidor que influencia o engarrafador. Pelo meio ainda apostamos em ações de promoção deste ativo ambiental e na defesa do montado de sobro e na preservação da biodiversidade”.

O responsável referiu ainda que “os consumidores estão mais informados, por isso temos de trabalhar com ferramentas que clarifiquem o consumidor”.

O Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) também tem um papel de agente de mudança dos hábitos dos consumidores, nomeadamente “na forma como intervém e procura transmitir resultados”, disse Paulo partidário, investigador sénior. O LNEG contribuiu, por exemplo, para o Plano de Prevenção de Resíduos Urbanos e Resíduos Industriais.

Também a Vitacress Portugal tem como missão conjugar os interesses dos consumidores, dos clientes, dos colaboradores através de uma estratégia de criação de valor, contribuindo para o desenvolvimento da inovação no setor hortícola nacional, mas também para a melhoria de hábitos de consumo da população,

“A Vitacress atua nos mercados português e inglês. Neste último, há uma grande obrigatoriedade de certificação que temos de cumprir, o que nos obriga a métodos de cultivo e produção sustentáveis e que nos coloca em desvantagem no mercado português que ainda não valoriza muito esta questão”, disse Luís Mesquita Dias, diretor-geral da Vitacress. Esta diferença, segundo o responsável, explica-se pelo “grau de conhecimento e envolvimento dos consumidores”.

Para Paulo Freire, administrador da Unicer, que também participou no debate, “são os consumidores interessados que nos fazem evoluir. Há uma diferença entre ter uma mensagem interessante e um cliente interessado. E nós, na indústria, temos de comunicar o que é interessante”.

 


 

“A economia Circular como reposta ao consumidor: os instrumentos da mudança”

Numa altura em que o País enfrenta grandes desafios, o Clube de Produtores do Continente (CPC) ajuda a construir soluções que garantam a competitividade da nossa agricultura e pescas, promovendo as melhores práticas ao nível da produção e comercialização, para fazer chegar a todos os portugueses o que de melhor se produz neste setor.

“Os consumidores são um desafio e desejam comprar produtos nacionais. Por isso, ajudamos a organizar a produção nacional, partilhando tendências de mercado. E passados mais de 15 anos continuamos a conseguir ver o que o consumidor deseja”, disse Ivone Silva, presidente do CPC.

Também a EDP compromete-se a adotar medidas de gestão destinadas a minimizar e controlar os impactos ambientais resultantes das suas atividades de produção, distribuição e comercialização de energia, e a lançar ideias que promovam o consumo sustentável.

Entre as ferramentas que a EDP disponibiliza aos consumidores para um consumo responsável, encontram-se, de acordo com Ferrari Careto, administrador EDP Soluções Comerciais, o Eco EDP, um site que ajuda a poupar energia, e o RE:DY,  que permite monitorizar consumos de forma independente e também controlar os equipamentos que lhes forem ligados.

Sendo a água um produto essencial e indispensável à vida dos portugueses, também a EPAL tem desenvolvido ferramentas que contribuem para a necessidade de uma gestão racional e equilibrada deste recurso.

“Em Lisboa, as perdas de água foram cerca de 7.9% em 2013 e é um dos melhores valores a nível mundial”, revelou José Sardinha, presidente do Conselho de Administração da EPAL, na segunda conferência do GPA.

E como se chega a estes valores? “Com inovação, com serviços como o Waterbeep, que disponibiliza informação sobre o consumo de água nas residências, espaços comerciais, industriais ou de escritórios e que aumenta a eficiência e evita o desperdício de água e iniciativas como cursos de prova de água”, frisou o responsável.

Por fim, Jorge Henriques, vice-presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), destacou que “na CIP os instrumentos de mudança não são as publicações, mas sim as pessoas”.

Na sua opinião, o programa de investigação e inovação da União Europeia Horizonte 2020 “vai ser uma das últimas oportunidades para criar parcerias estratégicas e aumentar a disseminação de conhecimento, um passo para a sociedade evoluir de forma sustentável”.

 


 

Protocolo de Colaboração – AEP e GPA

A Associação Empresarial de Portugal (AEP) e o Green Project Awards assinaram um protocolo de cooperação para divulgar as oportunidades de negócio do setor português do ambiente e energia em países como Colômbia, México e Perú. O acordo de cooperação foi concretizado no decorrer da segunda conferência do GPA.

O objetivo das duas entidades é “articular esforços”, principalmente no que respeita ao projeto Interambinerg – Internacionalização do Setor Português do Ambiente e Energia.

Segundo Paula Roque, membro do Conselho Geral da AEP, “o presente protocolo de colaboração tem por objeto o estabelecimento de uma cooperação entre a AEP e os organizadores do GPA, articulando esforços e meios com vista a potenciar os objetivos recíprocos das entidades, com especial enfoque no que diz respeito ao projeto Interambinerg”.